<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-17722362</id><updated>2011-04-21T22:48:59.292-03:00</updated><title type='text'>Politonia</title><subtitle type='html'>O quartinho dos fundos do Fonoflux</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://politonia.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17722362/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://politonia.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>1.000tz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16518144804546781666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/img/204/7590/320/peering.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>3</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17722362.post-116429983395417906</id><published>2006-11-22T14:31:00.000-02:00</published><updated>2006-11-23T15:09:08.666-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;B&gt;HISTÓRIA DE SANTA CECÍLIA&lt;/B&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Santa Cecília viveu no século III e pertencia a uma das famílias mais tradicionais de Roma. Assim que atingiu a maturidade, seus pais a prometeram em casamento a um jovem chamado Valeriano, também membro da alta sociedade local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo contra sua vontade, Cecília aceitou a decisão de seus pais, mas pediu que o rapaz se convertesse ao cristianismo e respeitasse o seu voto de castidade, concedido a Deus. Valeriano, então, foi catequizado e batizado pelo Papa Urbano. Após o casamento, seu irmão Tibúrcio também se tornaria cristão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela época, por ordem do alcade Almachius, era proibido o sepultamento de cristãos em Roma. Valeriano e Tibúrcio, desobedecendo às leis vigentes, dedicaram-se a sepultar todos os cadáveres de cristãos que encontravam. Ambos acabaram presos e levados diante do alcaide, que lhes garantiu a liberdade caso passassem a adorar ao deus Júpiter. Eles preferiram continuar cristãos, afirmando que adorariam somente ao verdadeiro Deus e a seu filho Jesus Cristo. Pela recusa, foram cruelmente torturados e condenados à morte por decaptação, nas proximidades de Roma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília foi presa quando enterrava os corpos do marido e do cunhado. Levada a julgamento, também se negou a adorar outro deus e disse preferir a morte a ter que renegar o cristianismo. Por isso, foi condenada à morte por asfixia em uma câmara de banho turco totalmente fechada. Ao ser colocada no recinto, começou a cantar incessantemente músicas em louvor a Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passadas várias horas, Almachius ficou furioso, pois Cecília não morria e continuava a cantar. Ordenou, então, que fosse degolada, mas, inexplicavelmente, o soldado não conseguiu cortar sua cabeça. Cecília somente viria a morrer três dias depois, devido aos ferimentos no pescoço. Ela foi enterrada no cemitério de São Calistus, mas o Papa Paschal I ordenou que suas relíquias fossem levadas à cidade de Trastevere, na Itália, onde está ainda hoje, na catedral que leva seu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco antes de sua morte, Cecília pediu ao papa Urbano que transformasse sua bela casa em um templo de orações e que todos os seus bens fossem doados aos pobres. Atualmente, entre todos os santos da Igreja Católica, Santa Cecília é a santa padroeira do maior número de igrejas e capelas em território europeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fonte: &lt;a href="http://www.gazetadesaojoaodelrei.com.br/" target=”_blank”&gt;Gazeta de São João del Rei&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17722362-116429983395417906?l=politonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17722362/posts/default/116429983395417906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17722362/posts/default/116429983395417906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://politonia.blogspot.com/2006/11/histria-de-santa-ceclia-santa-ceclia.html' title=''/><author><name>1.000tz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16518144804546781666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/img/204/7590/320/peering.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17722362.post-113331180340795008</id><published>2005-11-29T22:49:00.000-02:00</published><updated>2005-11-30T13:17:40.790-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;B&gt;RIO DE JANEIRO, UMA CIDADEZINHA QUALQUER&lt;/B&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Machado de Assis viveu muita coisa. O Brasil em que o romancista nasceu não era o mesmo que o viu morrer. Entre 1839 e 1908 muita água passou sob a ponte da vida nacional: caiu o Império e surgiu a República, acabou o tráfico de escravos e, algum tempo depois, a própria escravidão; entramos e saímos da Guerra do Paraguai, Floriano assumiu e abandonou o governo, algumas províncias se rebelaram, até que o século XX deu tréguas à agitação social, pelo menos até 1930.&lt;br /&gt;Ao tempo em que Machado era ainda apenas um moleque pobre e mulato, o Rio de Janeiro, então capital federal, era uma cidade pacata, de hábitos até meio interioranos.&lt;br /&gt;De ruas feias e sujas, de casas velhas e sórdidas, a Cidade Maravilhosa nada tinha de maravilhoso. Ou melhor, tinha: sua paisagem, sua baía, seu conjunto de morros já eram o cartão postal do Brasil, apesar da febre amarela. Mas se a natureza fora pródiga; a cidade construída mal combinava com ela. Fruto da colonização portuguesa, tinha sido modernizada apenas no essencial para que a corte de Portugal não ficasse totalmente privada dos confortos europeus.&lt;br /&gt;O brilho da cidade eram os brilhos da corte: dos bailes, das festas, das sessões onde o imperador recebia seus súditos para o beija-mão. Decididamente, o Rio de Janeiro do tempo de Machado, ao menos de 94, seus primeiros tempos e de seus romances, era uma cidadezinha qualquer.&lt;br /&gt;Cidadezinha qualquer com ares de metrópole, onde se copiavam as últimas modas européias; onde a elegância sóbria dos homens de fraque, colete e chapéu alto era diretamente inspirada pela Inglaterra vitoriana e pudica; onde as moças saíam diretamente da tutela dos pais para a dos maridos; onde os esposos se tratavam com deferência; onde os rapazes bem-nascidos e com veleidades políticas iam estudar leis na Faculdade de Direito de São Paulo; onde os jornais, tão provincianos quanto a cidade, reproduziam os discursos políticos em que liberais e conservadores se digladiavam, numa linguagem igualmente retórica e inchada; e onde o teatro e a ópera eram o único programa disponível para os elegantes, seguidos de ceias boêmias e passeios de tílburis e cabriolés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;B&gt;Açúcar e Café: Um Bom Negócio&lt;/B&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Economicamente, o Brasil de Machado se apoiava na agricultura: cana-de-açúcar e café, plantados, colhidos, enfeixados e ensacados por escravos. E comercializados (= exportados) pelos donos das fazendas imensas, também donos da política do Império, das leis, da ordem.&lt;br /&gt;A economia era precária: economia de exportação, dependente do mercado exterior, que ditava os preços e as condições. A indústria nacional era absolutamente ausente. Tudo o que não fosse verduras, frutas, peixe, carne e frango era importado. Livros, máquinas, roupa, calçados, escravos, tudo vinha de fora. Os pretos custavam dinheiro e davam despesas. Por isso, com um empurrãozinho da Inglaterra, limitou-se e depois aboliu-se o tráfico. Mas restavam os já escravizados, que era preciso alimentar: começou-se então a pensar na abolição e no trabalho assalariado. O Ceará foi o primeiro estado a abolir a escravatura. O resto já se sabe: Lei do Ventre Livre, Lei dos Sexagenários e, finalmente, Lei Áurea.&lt;br /&gt;Mas, até ocorrer a Abolição fortaleceu-se o café, outro capítulo de nossa economia, que começava a dar lucros altos, maiores do que os da cana. E o café não era movido pelo braço escravo: era plantado e comercializado em bases diferentes, mais modernas, de perfil capitalista. Não bastava ter terras para plantar; era preciso também dinheiro, dinheiro para comprar mais terras e máquinas, para agüentar os anos de crescimento da planta, para estocar, para levar o produto aos portos.&lt;br /&gt;Foi quando a Inglaterra financiou o café brasileiro. E até hoje não pagamos a dívida, a famosa dívida externa…&lt;br /&gt;Depois veio a República e tudo ficou como dantes. O Brasil continuava sem indústria, importando o que consumia. E continuava também dependente, copiando as modas européias, modas às vezes liberais e subversivas, como as idéias da República.&lt;br /&gt;O Império, no seu início, servia aos interesses do açúcar ― interesses conservadores, que favoreciam os que já estavam no poder. Já os fazendeiros de café precisavam defender os seus interesses, precisavam de novas leis, de um novo modelo político. Precisavam, enfim, das rédeas do poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;B&gt;Aventura no Paraguai: Créditos e Débitos&lt;/B&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Inglaterra necessitava do Brasil. Seus empréstimos não tinham sido, é claro, feitos por amor à nossa bela paisagem. Pagamos em dinheiro e em solidariedade, como, por exemplo, na defesa de seus interesses na Guerra do Paraguai. Mas para entrarmos na guerra e para vencermos, precisávamos de soldados e de dinheiro. Dinheiro a Inglaterra fornecia. Soldados, não. Recrutou-se gente, mas foi insuficiente. O governo então resolveu comprar escravos para mandá-los à guerra. Foi assim que vencemos o Paraguai.&lt;br /&gt;Restabelecida a paz, o que fazer com tantos ex-soldados? Simplesmente mandá-los de volta às suas precaríssimas condições de vida e, muitas vezes, à escravidão? Impossível. Os ex-soldados constituíam o exército nacional e a campanha paraguaia lhes havia dado a exata consciência de sua força. O fato de terem armas na mão lhes dava sensação de poder, fazendo crescer seu orgulho militar.&lt;br /&gt;E esse exército, sem compromissos com as oligarquias dominantes, que se havia arriscado nos campos de batalha, começou a influir na vida nacional. Recusou-se, por exemplo, a caçar escravos fugidos. Julgava-se no direito de exigir respeito do trono, já cambaleante. Pois não tinha esse exército, afinal, defendido a pátria do inimigo?&lt;br /&gt;O exército brasileiro passa a exigir mudanças na vida nacional. Fala-se abertamente em República, idéia simpaticíssima aos cafeicultores. Funda-se o PRP (Partido Republicano Paulista), surgem jornais republicanos, a discussão se alastra e os ministérios sucedem-se. O trono cai.&lt;br /&gt;Andam de mãos dadas as campanhas da República e da Abolição: em meio a estudantes, comícios exaltados, movimentos e passeatas, defende-se a causa dos negros. Multiplicam-se as fugas, os quilombos. Aos olhos de todos, os alicerces dá escravidão estão podres.&lt;br /&gt;O Império e a escravidão caem quase ao mesmo tempo: em maio de 1888, a princesa Isabel assina a Lei Áurea; um ano e meio depois, Deodoro da Fonseca proclama a República.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;B&gt;A &lt;I&gt;Belle Époque&lt;/I&gt; Carioca&lt;/B&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos agitados foram os anos 80 do século passado. Anos que viram o Rio de Janeiro, e com ele o Brasil, virarem de cabeça para baixo. A cidade e o país modernizavam-se, perdiam o ranço de donzela antiga. Dinamizou-se a vida social, a literatura virou moda. Nos salões elegantes, declamava-se Bilac ao som de piano. Poetas, tomando chá ou vermute nas confeitarias elegantes, tinham sua roupa copiada, eram quase intimados a assinar álbuns de autógrafos. Surgiu o cinema, a iluminação elétrica. Como se dizia na época, o Rio civilizava-se.&lt;br /&gt;Mas, como tudo, a civilização vinha de fora, da Europa. Não eram só figurinos de roupas que importávamos. Eram também figurinos literários.&lt;br /&gt;Ao tempo em que proclamávamos a República e abolíamos a escravidão, a Europa vivia outro estágio social, com grau bem maior de participação popular. A França, de onde nos vinham os modelos culturais, já tinha feito sua revolução no século anterior. A burguesia francesa estava, portanto, solidamente implantada no poder, poder esse com que sonhava nossa pobre burguesia aprendiz.&lt;br /&gt;Foi muito natural, portanto, que surgisse na França e no resto da Europa (Portugal, por exemplo) uma literatura de defesa do operariado, onde seus problemas eram expostos sem retoques. Natural também foi o abandono das velhas posições românticas, que tanto haviam ajudado a consolidar a sociedade burguesa. Começou assim a vir abaixo meio século de cultura romântica.&lt;br /&gt;A literatura começou então a alterar seu perfil. À defesa e exaltação do casamento, seguiu-se-lhe uma crítica e a denúncia do adultério. Aos salões requintados, elegantes e finos, seguiram-se os ambientes pobres, toscos, miseráveis. Ao amor espiritual e metafísico, seguiu-se a descoberta do sexo, de sua patologia, de seus desajustes. À linguagem inflamada e exuberante, seguiu-se a contenção da forma, as tentativas de exatidão e de detalhe. Em resumo, ao romance produzido para divertimento, seguiu-se o romance engajado na luta social e política por um mundo mais justo, mais igualitário. À literatura-lazer, seguiu-se a literatura-denúncia. Ao romance romântico, seguiu-se o romance naturalista. Era a virada do romantismo para o realismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;B&gt;A Novidade Literária Chega ao Brasil&lt;/B&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas qualquer virada vem de longe e devagar. O que as datas marcam é a "oficialização da virada", quando o avesso já é direito. Esse papel de marco histórico cabe ao livro &lt;I&gt;Madame Bovary&lt;/I&gt;, de Gustave Flaubert, escrito em 1857. Esse romancista francês escandalizou os leitores de seu tempo escrevendo uma estória de adultério e, mais do que isso, uma estória onde as concepções românticas da personagem são vistas como responsáveis por sua infelicidade e por sua degradação.&lt;br /&gt;Um pouco depois, Emile Zola, outro escritor francês, foi ainda mais além de Flaubert. Em seus romances mostrou, pormenorizadamente e sem retoques, toda a miséria da vida operária. O impacto social de sua obra foi imenso. A época era de conscientização popular, com as massas operárias reivindicando melhores salários, melhores condições de trabalho, uma vida mais justa. E a literatura, aliando-se a essas lutas, veio trazer para a poltrona dos leitores problemas políticos e sociais, a violência da pobreza e da miséria na ordem burguesa.&lt;br /&gt;Bem cedo, todas essas idéias chegaram ao Brasil. Cedo e, às vezes, sem a necessária adaptação. Éramos uma sociedade arcaica e escravocrata, com veleidades às vezes socialistas, às vezes radicais, sempre deslocadas e fora do lugar.&lt;br /&gt;Foi mais ou menos esta a sociedade em que Machado viveu, como foi mais ou menos esta a cena literária de que seus livros se nutriram. Numa palavra, foi este o panorama fecundado pela extraordinária literatura machadiana, que até hoje encontra leitores apaixonados, dentro de uma tradição literária pobre como a nossa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Texto: Marisa Lajolo - 1980)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17722362-113331180340795008?l=politonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17722362/posts/default/113331180340795008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17722362/posts/default/113331180340795008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://politonia.blogspot.com/2005/11/rio-de-janeiro-uma-cidadezinha.html' title=''/><author><name>1.000tz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16518144804546781666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/img/204/7590/320/peering.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17722362.post-112903802487934213</id><published>2005-10-11T10:40:00.000-03:00</published><updated>2005-10-11T14:25:54.910-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;B&gt;O ROLLS ROYCE, O POLÍTICO, A MADAME E SEUS SEGREDOS&lt;/B&gt;&lt;br /&gt;                             &lt;br /&gt;&lt;I&gt;As histórias de Carmem Mayrink Veiga, do senador Gilberto Miranda e de um automóvel que limpa o passado dos nouveaux-riches&lt;/I&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por &lt;B&gt;HUGO STUDART&lt;/B&gt;&lt;br /&gt;&lt;I&gt;(publicado em 1996, no extinto The São Paulo Journal)&lt;/I&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rolls Royce não tem nenhum sinal exterior de singularidade. É um modelo básico, Silver Cloud azul, fabricado em 1951, naturalmente soberbo, mas sem qualquer atrativo extra além do carisma da marca. O novo-rico é um senador sem voto, milionário sem negócios visíveis e cidadão sem berço citável, Gilberto Miranda Batista (pardon, é melhor tratá-lo por Baptista).&lt;br /&gt;Quanto à madame...bem...filha de um caipira agiota, ela já atendeu pelo nome de Terezinha e foi a mais desejada das nouveaux-riches, isso há quase meio século. Transformou-se em Carmem, a mais soberana granfina de que se tem notícia. Hoje, empina a esfinge no papel da mais digna dos novos pobres. Podem estar certos, prezados leitores, nunca houve uma mulher como Carmem.&lt;br /&gt;Meses atrás, o destino dos três personagens se cruzou no Centro do Rio de Janeiro, na garagem do imponente edifício Mayrink Veiga, na Rua Mayrink Veiga, onde outrora funcionou uma empresa de próspera e de fama internacional, a Casa Mayrink Veiga. A luz da garagem fora cortada por falta de pagamento. O Rolls Royce estava indo a leilão, em hasta pública. Fora arrestado pelos bancos credores aos inadimplentes Carmem Terezinha e Antônio Alfredo Mayrink Veiga, o famoso Tony do Country Club, beneficiários de um histórico calote cuja soma já ultrapassa 28 milhões de reais.&lt;br /&gt;C'est la vie, madame. &lt;br /&gt;Sócio de duas dezenas de empresas e sorvedor de um alardeado faturamento que, diz ele, chega quase a meio bi, o senador mandou um rábula anônimo ao local e em menos de cinco minutos o negócio estava fechado, por 130.500 reais à vista, apenas 500 patacas acima do preço mínimo. O Rolls Royce, símbolo de todo charme e glamour dos saudosos Anos Dourados, encontra-se hoje estacionado na garagem (com luz) de uma mansão na Rua Ibsen da Costa Manso, Jardim Europa, São Paulo.&lt;br /&gt;O novo dono jamais andou no veículo, prefere as máquinas japonesas. Somente planejou emprestá-lo à última namorada, uma modelo de nome Ana Cristina (já se foi, au revoir), para que pudesse realizar o capricho de chegar ao Fasano na estréia de um dos vestidos de noite da sua nova coleção Lagerfeld, presente do senador, naturalmente.&lt;br /&gt;Fazer o quê, madame Carmem?&lt;br /&gt;Gilberto Miranda é a fina flor dessa turma que anda tomando para si, com muita cotovelada, joelhaço e golpes baixos, todo o dinheiro, a fama e o poder disponíveis no Brasil. Mas, como diria o saudoso Ibrahim Sued, "pior do que os novos-ricos são os novos-pobres". Alheio à filosofia do colunista, o pobre Rolls Royce acabou virando o ícone da transição daquele velho mundo de arrogantes para uma nova sociedade de deslumbrados, que emerge com disposição de aparecer, fazer e acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;I&gt;&lt;B&gt;As Vidas Pregressas e Progressas&lt;/B&gt;&lt;/I&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais curioso desse encontro dos três personagens é que o automóvel entrou para a coleção do senador Gilberto Miranda no momento em que ele ganhou fama nacional -finalmente chegou lá!, acusado de enriquecer de forma pouco ortodoxa. Há um ano, o senador leu a notícia de que os Mayrink Veiga estavam com, digamos… "dificuldades momentâneas de liquidez". O conhecido Rolls Royce da família poderia acabar em hasta pública.&lt;br /&gt;Homem generoso que é, Miranda telefonou cordialmente para o playboy Antenor, o primogênito de Carmem &amp; Tony, a fim de oferecer seus préstimos - ou seja, a carteira. Antenor tratou-o com desdém, mostrou-se horrorizado com o fato de tão nobre Rolls Royce ser profanado por um traseiro sem pedigree. O indesejado soube esperar. Meses depois virou "o jogo" como quis, e por quanto quis.&lt;br /&gt;Fazer o quê, madame Carmem? O próximo passo desejado pelo senador Gilberto Miranda, segundo garantem os caciques do Congresso Nacional, em Brasília, será arrematar o santuário dos Mayrink Veiga, caso este também seja levado ao martelo. Provavelmente será. Não é um latifúndio urbano, como tantos outros que o senador possui, mas o apartamento é um grande investimento. Vale qualquer preço pelo que se capta, por osmose, ao respirar as boas bactérias deixadas no ar pelo tipo de gente que ali pisou.&lt;br /&gt;Aqueles 600 metros quadrados suspensos ao quinto andar de um edifício na Praia do Flamengo, com vista para a Baia da Guanabara e quatro salões, com dez ambientes zelosamente adereçados com Portinaris, Volpis, Guignards, tapeçarias antigas e toda a sorte de raridades, foram freqüentados por sobrenomes como Rothschild, Agnelli e Cicogna. É provável que logo-logo venha a se impregnar com os fluidos dos Sarney, dos Ferreira e dos Alves, familias mui chegadas ao senador Miranda, o novo herói da sociedade emergente. C'est Ia vie, Antenor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;I&gt;&lt;B&gt;A Saga do Automóvel&lt;/B&gt;&lt;/I&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na estrada das décadas, o destino, indefectível chofer, conduziu o Rolls Royce de forma insuperavelmente irônica. Primeiro pertenceu a Flor de Oro Trujillo, filha do então ditador dominicano Rafael Trujillo Molina. No banco traseiro, Flor estrelou em público cenas ruborizantes de amor com o playboy internacional Porfírio Rubirosa, o primeiro de seus maridos. Quando chegou a las calles de Santo Domingo, a outra conotação da expressão galicista "boquette" Trujillo decidiu livrar-se do automóvel.&lt;br /&gt;Comprou-o um senador brasileiro de fina linhagem, o velho Antenor Mayrink Veiga. Isso foi há 43 anos. Favor não confundi-lo com seu neto homônimo que está vivo e é playboy. Antenor, o velho, esse sim era um craque.&lt;br /&gt;O senador Mayrink Veiga era tão bom de serviço que ainda conseguia munição para influir na política nacional. Comprou um mandato de senador pelo velho PTB , como suplente. Acabou assumindo. Gilberto Miranda também comprou seu mandato. Pagou, na rubrica "ajuda de campanha", perto de 2 milhões de dólares ao titular da vaga, Amazonino Mendes, garantindo a vaga de suplente. Em 1993, Amazonino voltou para o Amazonas, primeiro como prefeito de Manaus, depois como governador. Miranda assumiu para passar seis anos no Senado.&lt;br /&gt;Voltemos à história do Rolls Royce. Em 1954, o senador Mayrink Veiga emprestou o referido automóvel para um ricaço paulista, o cônsul Solbiati, emérito financista. O cônsul sentou a filha Carmem Terezinha naquele mesmo banco traseiro que se acostumara às travessuras de Flor de Ouro, e a conduziu orgulhoso ao altar da Igreja da Candelária, onde a entregou ao herdeiro do próprio senador Mayrink, um moreno bonitão, Antônio Alfredo, o Tony. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;I&gt;&lt;B&gt;O Consuli Honorabile&lt;/B&gt;&lt;/I&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carmem Mayrink Veiga tem idade inconfessada. Ainda que tenha poucos bisturis, passa fácil-fácil por cinqüentona. Pelos fatos, pode-se concluir que esteja com 67 ou 68 anos. Surgiu no grand monde paulistano, no início dos anos 40, com 15 ou 16 anos. Chamava-se Terezinha Solbiati em sociedade e Carmem Terezinha em família. Nesse tempo, seu pai, Enéas Solbiati, era conhecido por seu Enéas e se apresentava vagamente como "homem de negócios" de Pirajuí, a mesma terra do ex-governador Laudo Natel e de Amador Aguiar, criador do Bradesco.&lt;br /&gt;Mais tarde, soube-se que o negócio do seu Enéas era tráfico de dinheiro. Emprestava grana alta a juros extorsivos. Na época, a classificação para tal atividade era "agiotagem" e o profissional era chamado de "agiota". Hoje, chamam-se banqueiros, financistas. Em São Paulo, seu Enéas comprou uma casa no Jardim América, paraíso dos novo-ricos de então. Hoje, o bairro continua bacana, mas o Jardim Europa é melhor ainda - foi esse, obviamente, o bairro escolhido por Gilberto Miranda para se instalar numa mansão. &lt;br /&gt;Seu Enéas colocou as filhas no colégio Ofélia Fonseca, em Higienópolis, o mais caro e badalado - Miranda mandou as filhas para Lausanne, na Suíça. A seguir, seu Enéas saiu atrás de um cartão de visitas, um título nobiliárquico qualquer. Na falta de uma suplência para o Senado a providência lhe apresentou a chance de comprar o título de "consuli honorabile d'Itallia". Pronto! Nascia ali o honorável cônsul Solbiati.&lt;br /&gt;Era tudo o que o seu Enéas precisava para batalhar convites para todas as festas da arrogante e segregacionista sociedade dos quatrocentões. Às vezes, aparecia sem convite mesmo. Ainda hoje, mais de cinqüenta anos depois, os remanescentes dos velhos barões do café gostam de falar das gafes do cônsul Solbiati. Seu calvário eram as titias de Pirajuí, que gostavam de lotar as frisas do Teatro Santana com seus vestidos de muitos babados e um estilo de se portar, digamos… extravagante.&lt;br /&gt;O cônsul era um sujeito refinado. Se vestia de forma impecável, com as mais finas grifes da moda. Sabia combinar a gravata e aparecia com a mesma elegância hoje demonstrada pelo senador Miranda. Apreciava os bons Habanas (como Miranda) e tornou-se um exímio conhecedor de conhaques. O nosso honorável senador preferiu patrocinar uma confraria de enólogos e montar uma das melhores adegas do país, pra lá de um milhão de dólares em raridades como Lafite, Crillon, Pétrus e Le Pin.&lt;br /&gt;Outro hobby do cônsul Solbiati era colecionar os símbolos da ostentação da antiga aristocracia. Casarões, carrões, fazendões. Deu sorte, pois naquela época o baronato sofria de uma aguda crise de liquidez. Gilberto Miranda segue a mesma estrada. Dos Scarpa comprou a fazenda cinematográfica e um Rolls Royce; de dona Maria Maluf, mãe do nosso prefeito, ficou com outro Rolls Royce; de Nélson Piquet levou jatinho e ex-namorada; de outros menos famosos adquiriu preciosidades como a Ilha das Cabras (Ilhabela), uma mansão de 4 milhões na Rua Suíça etc. etc. etc. e, por fim, cruzou com a família Mayrink Veiga. Que chato, hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;I&gt;&lt;B&gt;Carmem! Carmem!&lt;/B&gt;&lt;/I&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É provável que nunca mais venha a aparecer uma mulher como Carmem. Quando ainda Terezinha, arrasava. Alta, magra, pernas finas, aquele nariz de personalidade, aquela boca de lascívia... tudo o que se referia a essa mulher escandalizava naqueles anos 40. Arrasaria ainda hoje, em qualquer tempo.&lt;br /&gt;As adolescentes de então sonhavam usar meias três quartos; Carmem Terezinha anunciava abertamente o dia em que se acariciaria com meias de seda. Maquiava uma pinta na bochecha, um escândalo!, e passeava com um chapéu de véuzinho no rosto, o must para as moças casadoiras - meninas jamais usavam chapéu. Colocou sapatos altos antes dos 14 e antes dos 15 já era mal-falada.&lt;br /&gt;Terezinha era mais inteligente, mais alta, mais bonita, mais arrumada e chamava mais a atenção do que as demais. Com tal personalidade e ainda por cima filha de um "financista", foi muito discriminada em sua entrée social. Ou seja, foi pouco convidada. Aos 16, estourou. Quem a lançou como a "Glamour Girl do Harmonia" foi a revista SP Magazine, da quatrocentona Maria Amália Penteado de Camargo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;I&gt;&lt;B&gt;Nariz De Pitangueiras&lt;/B&gt;&lt;/I&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Guarujá voltou a funcionar quando a Guerra acabou. No verão de 1946, nascia em São José do Rio Preto, Gilberto Miranda, filho de um tintureiro analfabeto e de uma dona-de-casa com o primeiro ano primário. Na Praia de Pitangueiras, a piscina do Grand Hotel era o centro dos acontecimentos sociais paulistanos. Equivalia em badalação ao Copacabana Palace, no Rio. E Terezinha Solbiati era o centro das atenções em Pitangueiras. Lembram-se de Scarlet O'Hara em "E o Vento Levou"? Pois Terezinha vivia cercada de rapazes de boa família a implorar "dança comigo, Terezinha! ", "Oh, Terezinha, olha pra mim pelo amor de Deus".&lt;br /&gt;Sua voz era arrebatadora, já naquela época. Meio grossa, transmitia autoridade. Andava ereta, queixo para cima. Estava sempre chiquérrima, mas com um chique exageradíssimo, tipo over dressing, com mais jóias do que precisava, mais plumas do que a ocasião exigia. Inventava modas e estilos. Se tinha que colocar um vestido de baile dava um jeito da estola de peles adaptar-se a um ombro só. Era hiper-exótico. &lt;br /&gt;Naqueles tempos, não tinha pra mais ninguém. E olha que Terezinha tinha menos de 20 anos. Entrava nos lugares sempre triunfal, vocação para artista. Lembrava Ava Gardner e imitava-a no que tinha de mais louca.&lt;br /&gt;Adolescente, não tinha medo de nada. Chegava nos acontecimentos sempre exuberante. Como era nova no pedaço, não sabia se pegava bem ou mal falar com fulano. Na dúvida, as moças de família fingiam que não estavam vendo. Na dúvida, Terezinha afrontava, e com pose.&lt;br /&gt;Quando os oficiais de justiça bateram à porta a fim de arrestar os bens de seu apartamento, há um ano, o marido Tony fugiu para o quarto; depois escondeu-se no Country Club.&lt;br /&gt;Terezinha, agora Carmem, segurou a onda sozinha. Mostrou cada peça, deixou que fotografassem tudo e, no final, exigiu fila indiana para que a turma do arresto, um a um, pudesse usufruir do deleite de cumprimentá-la. Atualmente, é vista com freqüência nos tribunais, ainda sozinha, e com aquele mesmo nariz empinado que exibia em Pitangueiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;I&gt;&lt;B&gt;Da Pá-Virada&lt;/B&gt;&lt;/I&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na passagem da década, de 40 para 50, Terezinha era uma das locomotivas de São Paulo. Vivia no Jóquei, no Harmonia e na Hípica Paulista. Freqüentava o que havia de melhor também no Rio, como o Itanhangá e o Jóquei da Gávea. As mulheres a odiavam. Chamavam-na de "espanador da lua". Algo tão pejorativo quanto o seu oposto, "pintor de rodapé".&lt;br /&gt;Terezinha era aquilo que na época se definia como "da pá-virada". Igual a ela, guardados os tempo e o meio social, só se viu coisa igual com a serelepe Leila Diniz. Os rapazes "direitos", como o circunspecto Dr. Olavo Setúbal, dono do Itaú, não tinham coragem nem de chegar perto. Pegava mal até convidá-la para festas em seus lares quatrocentões.&lt;br /&gt;A moça era convidada para os acontecimentos somente pelos mais atrevidos. E põe acontecimentos nisso. Freqüentava a Jequiti, em Santana, a boate dos Prados, a mais seletiva e badalada do Brasil. Costumava entrar em automóveis sozinha com rapazes e logo estaria cercada pelos mais notórios cafajestes paulistanos, todos muito mais velhos.&lt;br /&gt;Saía o tempo inteiro com Baby Pignatari e Oswaldinho Lara Vidigal (primo do banqueiro Gastão Vidigal). Nos fins de noitada, esses dois costumavam encher a piscina do Harmonia com Alka Seltzer, o Engov da moda de então. Terezinha não era "in", mas também não era "out". Estava em todos os lugares importantes, mas não nas casas particulares. Freqüentava essencialmente as festas de Baby, um local pouco recomendado para pessoas de família.&lt;br /&gt;Leiam a reprodução de um texto da revista "A Cigarra", de 1951. Dá idéia do que significava a simples existência de uma mulher como Carmem Terezinha Solbiati na conservadora sociedade da época: "Rapazes gostam de pequenas que sabem animar uma palestra, mas odeiam as pequenas que falam muito. Se a pequena usa cores alegres, bastante maquilagem e chapéus audaciosos, ele hesita em sair com ela. Se ela usa tailler e uma boina escura, ele sai com ela e passa o tempo todo olhando as que usam cores alegres, bastante maquilagem e chapéu audacioso".&lt;br /&gt;Carmem Terezinha usava muito estampado de dia e somente negro de noite, quando não era convidada, era cobiçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;I&gt;&lt;B&gt;Bien Habillée&lt;/B&gt;&lt;/I&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1951, Jacinto de Thormes, de "O Cruzeiro", elaborou a lista das Dez Mais Elegantes, o primeiro hall das bien habillées. A mais-mais foi a Sra. Nélson Mendes Caldeira (née Cristiane Florence Perin). Por três anos consecutivos, Cristiane liderou. Eram habitués a Sra. Álvaro Catão (née Lourdes), a Sra. Carlos Eduardo de Sousa Campos (née Teresa); a Sra. Walter Moreira Salles (née Elisinha) e a Sra. Jorge Guinle (née Dolores). A Sra. Tony Mayrink Veiga estreou em 1956. De cara, desbancou Cristiane Mendes Caldeira como a mais-mais e nunca mais saiu do topo. O seu Enéas, o cônsul Solbiati, finalmente chegara lá através de sua descendência.&lt;br /&gt;Graças ao talento social de Carmem, os Mayrink Veiga viveram em um universo inacessível a qualquer outro milionário brasileiro que se tem notícia. Tony esbaldava-se em caçadas. Leões na África, ursos no Alasca, raposas na Europa. Para emoldurar suas cavalgadas, madame encomendava modelitos exclusivos Givenchy e Hermes. Certa vez, deu-se ao trabalho de alugar um castelo na Inglaterra para hospedar os amigos da nobreza européia que faziam companhia ao marido nessas aventuras campestres.&lt;br /&gt;No Brasil, seu trono é vitalício, ainda que seja uma nova-pobre. Por quase 30 anos, o casal protagonizou uma sucessão diária de recepções, jantares, coquetéis ou criativos programinhas petit-comité com o high society carioca. Para os finais de semana corriqueiros, mantinham uma mansão em Angra dos Reis. Para as temporadas parisienses, montaram um nababesco apartamente no Champs Élisées, de frente para a Torre Eiffel. Carmem gostava de passear em Paris de Rolls Royce e chofer de quepe e luvas brancas. &lt;br /&gt;Em um convescote de bacanas, certa vez madame fez o seguinte comentário a uma granfina canadense, em francês mais que fluente: "No Brasil temos muitos empregados, pois os pobres de lá se contentam com farinha e bananas". Também é sua a seguinte pérola, desta vez conjugada em português mais que perfeito: "Se há algo do qual me orgulho na vida é jamais ter trabalhado".&lt;br /&gt;Nessa época, o adolescente Gilberto Miranda ganhava a vida cantando pelas boates de periferia do interior de São Paulo. Certo dia, o ônibus lotado em que viajava caiu em um barranco. Morreram 59 pessoas. Três sobreviveram; Gilberto escapou com alguns arranhões. Como se vê, a sorte já avisava que estaria por muito tempo a seu lado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;I&gt;&lt;B&gt;Clube Dos Cafajestes&lt;/B&gt;&lt;/I&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nesse clima de comoção paulistana que Terezinha passou a freqüentar o Copacabana Palace, no Rio. Foi aí que virou Carmem. O amigo Baby, recém separado da segunda de suas mulheres, Nelita Alves Lima, a precedeu. Em São Paulo, ele estava sendo cobrado a manter um comportamento social "adequado". Terezinha, pardon, Carmem, também encontrou muito mais afinidade com a liberal sociedade carioca.&lt;br /&gt;Seus amigos no Rio eram os rapazes da turma de Jorginho Guinle, líder máximo do Clube dos Cafajestes. A turma era da pesada. Andava de motocicleta, cortava o cabelo à escovinha, usava camisa de malha colante. De dia, os rapazes moravam nas academias de cultura física e, à noite, dedicavam-se ao esporte de deflorar garotinhas. O clube tornou-se famoso quando passou a ser freqüentado pela granfinagem carioca, como o industrial Mariozinho de Oliveira, o cineasta Carlinhos Niemeyer e o príncipe Dom João de Orleans e Bragança, nomeado seu diretor social.&lt;br /&gt;A seção Mocinha de "A Cigarra", de 1954, aconselhava: "Explique a ele que sua mãe desaprova programas noturnos para moças de sua idade, que seus pais não a deixam sair com pessoas que eles mal conhecem". Naquela época, namorado só beijava depois de alguns dias de inocentes conversas e ainda não havia biquíni. As meninas que se permitiam certas liberdades eram consideradas "galinhas". Entenda-se por "certas liberdades" o que hoje se define como o velho e bom amasso, nada mais do que isso. Nada semelhante ao que fazia Flor de Oro em nosso Rolls Royce.&lt;br /&gt;Carmem seria hoje quase carmelita se comparada às atuais locomotivas do high society paulistano. Em seu tempo, consumia-se cocaína com a mesma regularidade que sorvia champanhe. Por outro lado, as regras sociais eram muitos claras: podia-se tudo, mas por debaixo dos panos. O mérito de Carmem Terezinha foi enfrentar com aquele nariz de Pitangueiras toda a hipocrisia de outrora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;I&gt;&lt;B&gt;Meu Deus, a Boca!&lt;/B&gt;&lt;/I&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Casa Mayrink Veiga chegou ao ápice da fortuna com a Revolução de 1964 - e os problemas tiveram início com o ocaso do regime militar, há 15 anos. O velho senador Antenor tinha uma rádio no Rio de Janeiro, a Rádio Mayrink Veiga. Como governista roxo, ou seja, do PTB, entregou a dita estação a dois cunhados poderosos para que fizessem dela o que bem entendessem: Leonel Brizola, governador do Rio Grande do Sul e João Goulart, presidente da República.&lt;br /&gt;Foi nos microfones da Rádio Mayrink Veiga que Brizola fez toda a sua pregação para organizar o famoso Grupo dos Onze. Como Antenor era chegadaço ao presidente, deixou que a burocracia virasse um pandemônio, uma ilegalidade em cada gaveta ou microfone. Deu azar. Os militares derrubaram e exilaram os dois cunhados. De quebra, fecharam a rádio. O problema é que os principais negócios dos Mayrink Veiga eram a intermediação de venda de armas para o Exército e o desenvolvimento de projetos para a Marinha. Queimado, Antenor passou a direção dos negócios para seu filho playboy, o Tony, com a incumbência de que ele, também fosse um governista roxo, ou seja, militarista.&lt;br /&gt;Carmem sempre ajudou Tony nos negócios. As amigas afirmam abertamente que se o ex-playboy tivesse deixado a condução das empresas com a madame, hoje a Casa Mayrink Veiga seria uma potência, não uma massa falida. Em 1967, Tony inventou de intermediar a venda de uma fábrica de alimentos desidratados para o Exército. Tentou vender o peixe pelas vias normais; seu sobrenome ainda era "comunista" e foi barrado nas guaritas dos quartéis.&lt;br /&gt;Incumbiu-se da missão nossa madame. Carmem pediu uma audiência ao presidente da República, o general Costa e Silva em pessoa. Outro conhecido estróina, o presidente marcou um jantar a dois. Carmem compareceu elegantíssima e saiu idem. Costa e Silva nem reparou nas boas maneiras da socialite e sequer escutou suas explicações. Na manhã seguinte continuava entorpecido, a repetir a cada instante:&lt;br /&gt;"A boca dela, meu Deus! Aquela boca!"&lt;br /&gt;Em tempo: graças a Carmem, a partir dessa noite Tony freqüentaria os gabinetes de todos os ministros militares empossados desde então, e se tornaria amigo de todos os presidentes da República militares, exceto Emílio Médici.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;I&gt;&lt;B&gt;O Golpe Do Baú&lt;/B&gt;&lt;/I&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Garotão bonito, físico de atleta" Gilberto Miranda, o "Giba", chegou a Brasília no mesmo ano de 1967 para tentar a vida. Arrumou emprego de professor de natação em uma escola pública de bom nome, o CIEM. Fernando Collor de Mello e Paulo Octávio estudaram lá e foram seus alunos.&lt;br /&gt;Entrou para uma faculdade particular de quinta categoria, o CEUB (hoje há locais bem piores), e conseguiu um diploma de bacharel em Direito. Em outro emprego, professor de natação do Iate Clube, conheceu um sujeito que mais tarde mudaria sua vida, Aloísio Campelo. Guardem esse nome que adiante ele entra em nossa história. &lt;br /&gt;Em 1973, Giba sacou sua carteirinha da OAB e anunciou, que iria tentar a sorte grande no Rio ou em São Paulo. ''Vou arrumar um baú", informou aos amigos, que caíram na gargalhada. Entenda-se por "baú" isso mesmo que vocês estão pensando: o mais-do-que-manjado golpe do baú. &lt;br /&gt;Chegou o bacharel primeiro ao Rio de Janeiro. Não deu certo. Mudou-se para São Paulo, onde o ajudou um antigo e rico amigo de piscinas olímpicas. Vivia ele de procurar, no Diário Oficial, empresários autuados pelo governo: INPS, Receita Federal, esses probleminhas menores. Detectada a presa, então se oferecia para resolver o assunto em Brasília, em contrato de risco.&lt;br /&gt;Certo dia fechou um acerto com a Gentek. A empresa tinha mandado vir do Japão uma  partida de contrabando de máquinas de calcular e os caixotes estavam detidos no depósito da Suframa, em Manaus. Miranda lembrou-se de que conhecia o chefão do órgão, o supracitado Aloíso Campelo, e foi lá tentar liberar a muamba, na maior cara-de-pau. Doutor Campelo gostava do Miranda e deu o toque: "Olha, quem fizer fábrica aqui em Manaus vai ficar rico".&lt;br /&gt;Com a frase na cabeça, Miranda voltou para São Paulo com todo o contrabando legalizado sob o eufemismo de "mercadoria importada". Logo depois, surgiu em sua vida um negociante, Mário Lander, representante no Brasil de uma indústria sueca de calculadoras, a Facit. O hoje digníssimo empresário procurou-o para que apresentasse um projetozinho à Suframa para montar uma fábrica de calculadora, maquiadas. Era aquele tipo de empresa que queria importar tudo mais ou menos pronto, contratar uns peões para apertar uns parafusos e pregar a etiqueta "Made in Manaus". &lt;br /&gt;"Sabe, sei que o cara lá é seu amigo…", insinuou Lander. Miranda topou o desafio, com uma exigência: não queria pagamento de espécie alguma. "Quero ser sócio". Hoje ele conta: "Eu não tinha um puto no bolso. O cara foi embora e três dias depois voltou, aceitando o negócio."&lt;br /&gt;Foi isso que Gilberto Miranda fez a vida inteira. É disso que vive até hoje. &lt;br /&gt;Detecta industriais que estão a fim de montar fábricas em Manaus e consegue a liberação dos projetos em troca de participação acionária. Conseguiu levar, segundo sua própria: contabilidade, cerca de 250 empresas para a Zona Franca e aprovou uns 200 projetos. Vende as ações quando estão valorizadas e gasta a grana comprando os bens dos novos-pobres. Já foi sócio de Dilson Funaro, de Mathias Machline e ainda é sócio de Mário Amato, entre outros.&lt;br /&gt;Retornemos àquele início de vida. Em 1974, outro fato relevante surgiu para alavancar nosso herói emergente: apareceu o "baú". Ele conheceu a socialite paulista Ana Alicia Scarpa, filha de Dom Nicolau Scarpa e prima do playboy Chiquinho Scarpa. Casou-se com a moça rapidinho e tratou, de fazer de cara seus herdeiros. Nasceram duas meninas, hoje com 18 e 16 anos. Os nomes, o senador pede encarecidamente que sejam mantidos em segredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;I&gt;&lt;B&gt;Ascensão e Queda&lt;/B&gt;&lt;/I&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos apressar o relato dos fatos, prezados leitores, pois nossa história já está indo longe demais. Gilberto Miranda Batista decolou de vez no governo de Fernando Collor. Seu irmão Egberto fazia parte do comitê de campanha e, na reta final, descobriu a enfermeira Miriam Cordeiro, ex-Lula (lembram-se dela?). Ganhou a Secretaria de Desenvolvimento Regional, que entre outras atribuições cuidava da Zona Franca de Manaus.&lt;br /&gt;Hildegard Angel registrou em sua coluna, no "O Globo", em 1992: "Muito correto o jantar de lugares marcados com que Carmem e Tony Mayrink Veiga receberam alguns amigos". Talvez em consideração aos dois, a colunista omitiu um pequeno detalhe. A noite estava muito agradável e as janelas foram todas escancaradas, brindando os convidados com a belíssima vista para a Baia da Guanabara. O motivo: o ar condicionado central estava pifado. Encontra-se pifado há quatro anos. Foi esta a última festa patrocinada pelos Mayrink Veiga.&lt;br /&gt;Logo depois, no início de 1993, Gilberto Miranda assumiu a vaga no Senado que comprara do titular por aproximadamente 2 milhões. No final do mesmo ano, quebrou o grupo inglês Ferranti, do setor de armamentos, deixando um calote de 1 bilhão de dólares na praça. A Casa Mayrink Veiga era um dos credores. Gilberto Miranda, por sua vez, acudiu o caixa do ex-sogro Nicolau Scarpa comprando-lhe o Rolls Royce e depois a fazenda cinematográfica.&lt;br /&gt;O senador declara possuir uma ilha em Ilhabela (5 milhões), uma casa de campo (5 milhões), duas casas no Jardim Europa (3,5 e 2 milhões), um jatinho Lear Jet 36 (2 milhões), quatro fazendas em São Paulo (preços incalculáveis), oito carros importados 1 milhão), parte menor de um patrimônio total de 500 milhões e faturamento anual de 600 milhões em cerca de 20 empresas.&lt;br /&gt;A Casa Mayrink Veiga dançou de vez em fins de 1994, quando quebrou o grupo francês Matra, com o qual possuía negócios em várias partes do mundo. Nessa época, Tony comprou (e pagou) um belíssimo Mazda Japonês, um luxo. Madame Carmem, por seu lado, passou a levar uma vida social cada vez mais recolhida. Trocou os rega-bofes por visitas cada vez mais freqüentes às igrejas do Rio de Janeiro. Tornou-se devota fervorosa de Santa Terezinha. Carmem desapareceu em parte por sensibilidade à crise financeira da família, em parte por conta de uma doença incurável que lhe obriga ao recolhimento, osteoporose.&lt;br /&gt;É a colunista Hildegard quem anda avisando: "A Carmem continua sendo o primeiro nome da sociedade carioca. Ela já deu a volta por cima".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;I&gt;&lt;B&gt;Anos Transitórios&lt;/B&gt;&lt;/I&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Membro do clã Scarpa, Gilberto Miranda era tratado com certo desdém pelos últimos quatrocentões blasés. Os aristocratas tradicionais foram completamente extintos, em 1995, com as sucessivas debácles de Jorginho Guinle, Tony Mayrink Veiga e Ângelo Calmon de Sá. Só restam os novos-ricos. &lt;br /&gt;É tanta gente emergente vicejando por aí que ninguém dá muita bola para excentricidades. Mas, há 20 anos, ainda se fazia muita piada a respeito do jeitão cafonérrimo do nosso herói, o Giba Miranda. O velho Enéas Solbiati enfrentou problemas ainda maiores naquela sociedade fechada dos anos 30 e 40. Giba, contudo, conseguiu o que queria: entrar em festa de bacana, pela porta da frente, para arrumar negócios.&lt;br /&gt;No circuito Elizabeth Arden, nessa mesma época, madame Mayrink Veiga era entronizada no Hall of Fame das mais elegantes do planeta. Causava sensação sua erudição a respeito de jóias. Conhecia a história e os detalhes dos maiores e mais belos diamantes do mundo. &lt;br /&gt;No oitavo andar do Edifício Mayrink Veiga, Tony começou a ter problemas. Terminou o regime militar e venceram, em paralelo, vários contratos de fornecimento de equipamentos para as Forças Armadas. Tony não conseguiu renová-los. Em outra ponta, o mercado internacional de venda de armamentos começou a se encolher.&lt;br /&gt;Tony passou os últimos 15 anos de cartório em cartório, renovando promissórias bancárias e empurrando as cobranças com a barriga. No caminho, foi fazendo estragos. Primeiro provocou a quebra do Banco Mineiro do Oeste, por conta de um calote. Depois, empenhou todos os bens da família, inclusive os preciosos diamantes da própria mulher, um anel (23,5 quilates), três pares de brincos (02 quilates), três broches de navettes (50 quilates), navettes pequenas (15 quilates) e baguettes (10 quilates). Pobre Carmem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;I&gt;&lt;B&gt;As Bravatas&lt;/B&gt;&lt;/I&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dez anos, quebrou o estaleiro Verolme. Dançaram dois navios que estavam sendo construídos para a Marinha com equipamentos vendidos por Tony. Nessa época, Gilberto Miranda ultrapassava seus primeiros 100 milhões de dólares acumulados. E Tony foi só acumulando dívidas.&lt;br /&gt;Atualmente, o marido de Carmem deve ao Banco do Brasil, ao Bradesco, ao Itaú, ao ex-Nacional, ao ex-Econômico, ao América do Sul e a um certo (e falecido) Banco Duarte Rosa. O episódio envolvendo este último é antológico. Há seis anos, Carlos Villar, banqueiro deslumbradíssimo, novo no pedaço, teve a honra de beber com o grande Tony no bar do Country Club carioca. Acabou seduzido. A facada foi de 1 milhão de dólares, coisa pequena para os dois, capitalzinho de giro.&lt;br /&gt;O papagaio venceu dezenas de vezes e com os juros extorsivos praticados nos últimos governos a dívida contábil subiu para 17 milhões. No ano passado, o Banco Central liquidou o Banco Duarte Rosa do exasperado Villar, ex-novo-rico, hoje novo-pobre. Ele não tem mais direito sequer a possuir talões de cheques. Em seu lar (o bar do Country), cercado dos amigos, certo dia Tony dignou-se a comentar o assunto: "Nesse país todo mundo deve", disse, sob aplauso dos presentes. A bravata prosseguiu: "Se eu soubesse que esse banco era tão fraco não teria operado com ele."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;I&gt;&lt;B&gt;O Epílogo&lt;/B&gt;&lt;/I&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tony já sumiu com seu Mazda. Antenor (o playboy) não sobe mais em supermotos para chafurdar-se na lama dos enduros. Está comportadíssimo, casado com a arquimilionária Patrícia Leal. Ela chegou à igreja no mesmo Rolls Royce outrora usado por Flor de Oro e Carmem Terezinha. O apartamento do jovem casal também está no prego e deve ir a leilão. Homem elegante, o sogro de Antenor ofereceu ajuda, informando que ele e Patrícia serão muito bem-vindos caso queiram se mudar para uma das alas da mansão onde reside, em Laranjeiras.&lt;br /&gt;A última personagem desta triste história é Antônia Mayrink Veiga, a filha mais nova de Carmem. Antônia é parecida com a mãe, sendo mais linda. Está muito bem casada com o belo e louro Guilherme Frering, cientista político com pós-graduação em Paris, presidente do Grupo Caemi, neto e herdeiro do bilionário Augusto Trajano de Azevedo Antunes (lembram-se do Projeto Jari?) enfim, o príncipe encantado do momento. Antônia chegou à Igreja da Candelária (como a mãe), a bordo de nosso Rolls Royce 1951.&lt;br /&gt;É Antônia quem tem patrocinado as visitas, cada vez mais raras, da mamãe Carmem a Paris. O apartamento no Champs Élisée já foi para o espaço. Quanto ao papi Tony, está com horror do solo francês. Comenta-se no Country Club que as dívidas deixadas por lá são tão grandes que se ele desembarcar em Paris não conseguirá embarcar de volta. Outro que está sofrendo é o gato do casal Mayrink Veiga. Cortaram-lhe as iguarias importadas; o pobrezinho agora só come ração nacional. A qualquer momento os Mayrink Veiga podem perder tudo. Por "tudo" entenda-se isso mesmo. Tudo, até o liquidificador.&lt;br /&gt;Gilberto Miranda que se orgulha de ter acumulado 150 empregados domésticos também anda entristecido nas últimas semanas. Em fins de março levou um chute de Ana Cristina (aquela que planejava desfilar de Rolls Royce com seu Lagerfeld) depois de mais de dois anos de namoro. Consola-se com os amigos (José Sarney, Edemar Cid Ferreira, Edevaldo Alves da Silva, entre outros) na confraria de "sommeliers" que montou numa de suas mansões no Jardim Europa, abrindo vinhos de mil dólares como se fossem Coca-Cola. Debochado como ele só, o senador explica sua volúpia: "Dinheiro é pra gastar mesmo. Tenho duas filhas, porque haveria de deixar meus vinhos para os genros? Dá pena trabalhar para dois desconhecidos".&lt;br /&gt;As duas filhas adolescentes do senador moram em Lausanne. Miranda paga todas as despesas da ex-mulher Ana Alicia Scarpa para que fique na Suíça cuidando da educação esmerada das meninas. Provavelmente, um dia, se casarão com o filho de algum granfino de linhagem tradicional, algum Frering ou um desses muitos Ermírios de Moraes disponíveis na praça. De certo chegarão à Igreja no Rolls Royce 1951 e, quem sabe, uma delas venha a ser, dentro de uma década, a Carmem Mayrink Veiga do ano 2000? Pode ser que sim, pode ser que não, afinal, nunca mais deve haver outra mulher como Carmem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17722362-112903802487934213?l=politonia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17722362/posts/default/112903802487934213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17722362/posts/default/112903802487934213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://politonia.blogspot.com/2005/10/o-rolls-royce-o-poltico-madame-e-seus_11.html' title=''/><author><name>1.000tz</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16518144804546781666</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/img/204/7590/320/peering.jpg'/></author></entry></feed>
